terça-feira, 24 de maio de 2011

CAMINHONEIRO

Sigo meu destino
Com hora para chegar
Mas sem hora para voltar.
Levo meu bruto com os braços.
Dobro cada curva, sigo cada reta
Que rasgam as serras
Que cortam o meu país
E que chamo de meu quintal.
Reconheço o perfume de cada flor
Embrulhadas pela mata verde,
Como se fossem ramalhetes,
Desse imenso jardim
Que, audaciosamente, o chamo de meu
E que enfeitam o meu “quintal”.
Esse jardim conhece cada
Pensamento meu
E me trás um pouco de ti.
Sigo sempre em frente
Sem hora para voltar.
Meus pensamentos voam
Para onde eu queria ir,
Para onde quero, sempre, voltar.
Quando a saudade aperta
Encosto meu possante
E mando recado para os amigos
Que ansiosos esperam por mim.

Juraci Paulussi

segunda-feira, 23 de maio de 2011


COMO O VENTO

Sou como o vento.
Ora soprando suave
Em manhas serenas,
Ora passando como furacão
Em tardes enfurecidas.
Às vezes, sem medo de nada.
Outras, assustada como criança indefesa
Que chora nos braços da mãe.
Forte como guerreiro valente
Quase nunca olho para trás.
Nunca recomeço nada
Porque nunca há nada para recomeçar.
Sigo sempre em frente
Porque lá, sim, é o meu lugar.
Não deixo que me cortem as asas.
Sem elas deixaria de viver, de voar.
Sem elas nada mais seria igual.
Como um furacão que passa
E arrasa sentimentos,
Às vezes chego de mansinho,
Me enrolo feito menina
Numa brisa para descansar.
Mas depois, sigo em frente sem medo,
Mesmo que tenha que disfarçar,
Mesmo com vontade de chorar.
Se um dia me encontrarem sem asas,
Aí sim, estarei reduzida ao pó,
Ao nada!

                                          Juraci Paulussi

domingo, 22 de maio de 2011


AVE DE RAPINA

Ave de rapina, solitária,
Se recusa a voltar
Para o mesmo ninho,
Pelo mesmo caminho
Que insiste em te esperar.
Nessa espera,
Das idas sem volta
Por momentos
Eu estive lá.
Mas cansei e descobri
Que ave de rapina também sou,
Mas diferente.
Porque volto sempre para o ninho,
Mesmo que vazio
A procura de outra ave para recomeçar.

                                      Juraci Paulussi
DANÇA

A dança é uma paixão alucinante,
Faz parte da alma dos bailarinos e dos amantes.
Um amor que aflora todos os dias
No palco do teatro e da vida.
A dança é uma arte vital para amar.
Através dela os seres flutuam,
Voam, levitam sem sair do chão.
Se levam pelos braços e se deixam levar.
No bailar se beijam sem se tocar,
Se sentem sem se beijar.
Se enlaçam nos braços e se deixam enrolar.
Vão para as nuvens e se deixam levitar.
A paixão se toca como louca
E todos os sentidos são para o amor.
Deslizam os pés pelo salão
E as mãos deslizam no corpo a bailar.
Num compasso maluco de um vai e vem
Um pra lá, dois pra cá,
Gira o corpo pelo salão
E a mente gira no prazer do toque das mãos
E no entrelaço leve dos pés.
No abraço das mãos o suor se mistura
Exalando um perfume comum.
Inexplicável para ser explicado como isso é bom.
A pele se toca de leve
Mas o desejo chega às entranhas.
Quando a música termina
Os olhares se cruzam dizendo
Que o baile não pode acabar.
                          Faz uma pausa, pra tudo recomeçar

                                        Juraci Paulussi

A VIDA É UM BALANÇO

A vida é um balanço.
Balança pra lá,
Balança pra cá.
Às vezes balança de leve,
Às vezes balança forte,
E às vezes faz a gente flutuar.
De repente parece que vamos cair.
Às vezes da um prazer imenso
E a gente deixa o balanço fluir.

Mas a vida é um balanço.
Muitas vezes da uma vontade de seguir
O balanço e se deixar balançar.
Mas de repente dá um quase medo
E a gente freia o balanço
Pra balançar mais devagar.

Mas a vida é um balanço
E tem que balançar.
Balanço suave,
Balanço forte,
Balanço que me faz sonhar.
Balança e me faz acordar.
Acordar para a vida
E de novo bançar.

Juraci Paulussi

sábado, 21 de maio de 2011


CHORA BERRANTE CHORA


Tem gente que toca a viola
Lembrando da mulher amada.
Eu toco meu berrante
Para o mundo inteiro ouvir.

Monto meu cavalo baio,
Saio pela invernada
Com meu berrante a tiracolo
A procura do meu amor.

Sento à beira da estrada,
Uma reta longa sem fim
Esperando a minha amada
Onde o berrante fala por mim.

Na volta para o meu rancho
Paro no meio da estrada
Toco o meu berrante,
Para minha princesa ouvir.

Quem sabe um dia ela entenda
Que nossa vida é uma só,
E venha ao meu encontro
E me leva para o céu.

Toca meu berrante toca,
Chora berrante chora
E leva o recado por mim. 

Juraci Paulussi
MINHAS ASAS 

Saudade de quando me perdia
Na imaginação do tempo e do vento.
Corria ao encontro
De suas asas para comigo voar.
Corria pela imensidão do nada,
Perdia-me no tempo,
Porque não queria voltar.
Deixava-me envolver na magia
Da doce loucura.
Libertava o coração
De tudo que pudesse acorrentar.
Vivia o sonho nunca sonhado,
Desvendando os segredos do universo
Com minhas asas extras  
Que fazia de tudo para me acompanhar.
Fazia o tempo parar,
Ouvia apenas o som do vento,
Enrolava-me em suas ondas
E junto com ele voava, flutuava.
Brincava de esconde-esconde.
Encontrava o caminho perdido,
Lançava-me sem medo,
Porque ao longo dessa jornada
Segurava-me em suas asas para voar.
                                                                 

                                            Juraci Paulussi