quarta-feira, 25 de maio de 2011


QUERO TUDO

Eu não quero só um beijo,
Quero tudo.
Quero a Lua e o brilho do luar,
O Sol juntamente com seu calor.
Quero todas as estrelas do céu e do mar.
Quero, com você,
Correr descalça nas areias
Molhando os pés nas ondas
Espumantes que vem e que vão.
Quero ver as gaivotas
Pousando nos mastros dos barcos
Que balançam pra lá e pra cá.
Quero sorrir e ver os pássaros
Que roubam o que sobrou do arrastão.
Quero ouvir o canto da sereia
E me deixar encantar.
Quero ficar paralisada em seus braços
A beira mar,
Ficar assim perdida nessa magia,
Observando o horizonte
Sem hora para voltar.
Quero você.

Juraci Paulussi

terça-feira, 24 de maio de 2011

CAMINHONEIRO

Sigo meu destino
Com hora para chegar
Mas sem hora para voltar.
Levo meu bruto com os braços.
Dobro cada curva, sigo cada reta
Que rasgam as serras
Que cortam o meu país
E que chamo de meu quintal.
Reconheço o perfume de cada flor
Embrulhadas pela mata verde,
Como se fossem ramalhetes,
Desse imenso jardim
Que, audaciosamente, o chamo de meu
E que enfeitam o meu “quintal”.
Esse jardim conhece cada
Pensamento meu
E me trás um pouco de ti.
Sigo sempre em frente
Sem hora para voltar.
Meus pensamentos voam
Para onde eu queria ir,
Para onde quero, sempre, voltar.
Quando a saudade aperta
Encosto meu possante
E mando recado para os amigos
Que ansiosos esperam por mim.

Juraci Paulussi

segunda-feira, 23 de maio de 2011


COMO O VENTO

Sou como o vento.
Ora soprando suave
Em manhas serenas,
Ora passando como furacão
Em tardes enfurecidas.
Às vezes, sem medo de nada.
Outras, assustada como criança indefesa
Que chora nos braços da mãe.
Forte como guerreiro valente
Quase nunca olho para trás.
Nunca recomeço nada
Porque nunca há nada para recomeçar.
Sigo sempre em frente
Porque lá, sim, é o meu lugar.
Não deixo que me cortem as asas.
Sem elas deixaria de viver, de voar.
Sem elas nada mais seria igual.
Como um furacão que passa
E arrasa sentimentos,
Às vezes chego de mansinho,
Me enrolo feito menina
Numa brisa para descansar.
Mas depois, sigo em frente sem medo,
Mesmo que tenha que disfarçar,
Mesmo com vontade de chorar.
Se um dia me encontrarem sem asas,
Aí sim, estarei reduzida ao pó,
Ao nada!

                                          Juraci Paulussi

domingo, 22 de maio de 2011


AVE DE RAPINA

Ave de rapina, solitária,
Se recusa a voltar
Para o mesmo ninho,
Pelo mesmo caminho
Que insiste em te esperar.
Nessa espera,
Das idas sem volta
Por momentos
Eu estive lá.
Mas cansei e descobri
Que ave de rapina também sou,
Mas diferente.
Porque volto sempre para o ninho,
Mesmo que vazio
A procura de outra ave para recomeçar.

                                      Juraci Paulussi
DANÇA

A dança é uma paixão alucinante,
Faz parte da alma dos bailarinos e dos amantes.
Um amor que aflora todos os dias
No palco do teatro e da vida.
A dança é uma arte vital para amar.
Através dela os seres flutuam,
Voam, levitam sem sair do chão.
Se levam pelos braços e se deixam levar.
No bailar se beijam sem se tocar,
Se sentem sem se beijar.
Se enlaçam nos braços e se deixam enrolar.
Vão para as nuvens e se deixam levitar.
A paixão se toca como louca
E todos os sentidos são para o amor.
Deslizam os pés pelo salão
E as mãos deslizam no corpo a bailar.
Num compasso maluco de um vai e vem
Um pra lá, dois pra cá,
Gira o corpo pelo salão
E a mente gira no prazer do toque das mãos
E no entrelaço leve dos pés.
No abraço das mãos o suor se mistura
Exalando um perfume comum.
Inexplicável para ser explicado como isso é bom.
A pele se toca de leve
Mas o desejo chega às entranhas.
Quando a música termina
Os olhares se cruzam dizendo
Que o baile não pode acabar.
                          Faz uma pausa, pra tudo recomeçar

                                        Juraci Paulussi

A VIDA É UM BALANÇO

A vida é um balanço.
Balança pra lá,
Balança pra cá.
Às vezes balança de leve,
Às vezes balança forte,
E às vezes faz a gente flutuar.
De repente parece que vamos cair.
Às vezes da um prazer imenso
E a gente deixa o balanço fluir.

Mas a vida é um balanço.
Muitas vezes da uma vontade de seguir
O balanço e se deixar balançar.
Mas de repente dá um quase medo
E a gente freia o balanço
Pra balançar mais devagar.

Mas a vida é um balanço
E tem que balançar.
Balanço suave,
Balanço forte,
Balanço que me faz sonhar.
Balança e me faz acordar.
Acordar para a vida
E de novo bançar.

Juraci Paulussi

sábado, 21 de maio de 2011


CHORA BERRANTE CHORA


Tem gente que toca a viola
Lembrando da mulher amada.
Eu toco meu berrante
Para o mundo inteiro ouvir.

Monto meu cavalo baio,
Saio pela invernada
Com meu berrante a tiracolo
A procura do meu amor.

Sento à beira da estrada,
Uma reta longa sem fim
Esperando a minha amada
Onde o berrante fala por mim.

Na volta para o meu rancho
Paro no meio da estrada
Toco o meu berrante,
Para minha princesa ouvir.

Quem sabe um dia ela entenda
Que nossa vida é uma só,
E venha ao meu encontro
E me leva para o céu.

Toca meu berrante toca,
Chora berrante chora
E leva o recado por mim. 

Juraci Paulussi
MINHAS ASAS 

Saudade de quando me perdia
Na imaginação do tempo e do vento.
Corria ao encontro
De suas asas para comigo voar.
Corria pela imensidão do nada,
Perdia-me no tempo,
Porque não queria voltar.
Deixava-me envolver na magia
Da doce loucura.
Libertava o coração
De tudo que pudesse acorrentar.
Vivia o sonho nunca sonhado,
Desvendando os segredos do universo
Com minhas asas extras  
Que fazia de tudo para me acompanhar.
Fazia o tempo parar,
Ouvia apenas o som do vento,
Enrolava-me em suas ondas
E junto com ele voava, flutuava.
Brincava de esconde-esconde.
Encontrava o caminho perdido,
Lançava-me sem medo,
Porque ao longo dessa jornada
Segurava-me em suas asas para voar.
                                                                 

                                            Juraci Paulussi
SEPARAÇÃO

Quando você foi embora,
A porta se fechou,
A janela emperrou,
O Sol se escondeu
E as estrelas deixaram de brilhar.
Nosso pássaro nunca mais cantou, entristeceu.
Você se foi de repente,
Nem para trás olhou,
Pra ver o que ficou
E de mim nem se despediu.
Tudo ficou em silêncio.
Deixou uma saudade
Que fez parar o tempo
E uma ausência ímpar.
A penumbra tomou conta do quarto
E a tristeza tomou conta da alma.
Fiquei ali parada, desolada
                                                   Procurando entender
O que não tinha explicação,
Imaginando uma vida sem despedida
Ou uma separação menos sofrida.

      Juraci Paulussi
POR QUE ?

Porque teve que ser assim?
Eu continuo aqui,
Te desejando ardentemente
E você habitando a minha mente.

Você surgiu sem eu pedir
E mexeu com meus sentimentos,
Com meu direito de escolher.

No passado você me esperou
Mas eu não sabia.
Talvez com medo de te amar.
Sei lá!

Hoje te acolhi e me entreguei.
Nessa entrega te amei
E você me amou.

Justamente agora que resolvi
Te aceitar, me entregar
Você foi embora
Sem dar explicação.

Interrompendo meu direito
De sonhar.

Se afastando
Levou minha felicidade,
Minha vontade de vive
E o meu direito de ser feliz.

Você me escolheu
Mas me deixou morrendo de saudade.
Por quê?
                                                      

                                                        Juraci Paulussi
LUA NUA
Lua que fascina com seu brilho e sua luz.
Paralisa com sua cor de prata como diamante.
Você fica lá Lua nua
Paralisada, mas faz todos aqui dançar, cantar e amar.
Sem pudor, sem rancor Lua nua
Nunca sai para descansar.
Se cobre de um manto incolor transparente
Apenas para disfarçar.
Mas esta nua
Como um botão de rosa
Que logo se abri para seu pólen espalhar, transbordar.
Lua nua, minha fantasia, minha amante secreta,
Meu amor platônico, catatônico.
Como uma deusa se faz de inocente,
Se disfarça, mas sabes que cativa, seduz
Com sua magia e sua luz.
Ao seu chamado
As estrelas reaparecem tímidas por trás de ti.
Piscam e ficam ali a disposição
Para servir-te Lua nua.
Sempre bela e nua,
Soberba e dona de si.
Lua nua sempre nua.
 Venha e me faça feliz.
                                          Juraci


ESPUMA DE MAR

Mar que me faz povoar a mente
Deslizando sobre as ondas espumantes
Como vinho doce para brindar.
Mar que povoa minha mente de sonhos.
Nos sonhos navego até você
Sentindo seu cheiro doce,
Misturado ao perfume de mar e do ar.
Sonhando te seguro fortemente
Com medo de ti me perder
E com medo que se perca de mim.
No vai e vem das ondas,
Seu rosto se desenha na espuma branca
E meus olhos se perdem nessa magia,
Que povoa o sossego do lugar.
Nesse delírio me perco,
Pois meu pensamento voa
Para onde eu queria ir,
Com quem eu queria estar.
                                                     

 Juraci Paulussi

VOLTA AO PASSADO
Voltei para o passado
Porque sei que vou te ver de novo.
Procurei os pedaços
De cada item da nossa história.
Busquei, de todas as formas,
Juntar tudo que ainda não acabou.
Colei cada pedaço de papel
Que havia rasgado, jogado fora.
Li todos os poemas
Que havia escrito para nós dois
E que havia trancado na gaveta para te esquecer.
Ouvi todas as músicas
Que nunca mais havia escutado
Com medo de sentir saudade.
Passei pelos lugares
Que juntos havíamos visitado.
Sentei-me debaixo da árvore
Que um dia a chamamos de nossa.
De carro percorri os caminhos,
Que juntos observamos
As maravilhas da natureza.
Tomei banho naquela cachoeira
Cristalina, descendo a serra,
Onde juntos estivemos.
Ocupei o mesmo quarto
Da pousada a beira da estrada
Onde paramos para tirar a poeira e descansar.
Refiz todo o caminho de volta
Que um dia o mundo assistiu
E que, caprichosamente, o tempo negou.

Juraci Paulussi